O Centro do Universo
Be yourself is all that you can doArquivo de janeiro 4, 2012
Há quem diga que eu não sou de nada…
Antes tarde do que nunca. A avaliação de 2011 foi feita do modo menos ortodoxo possível no 30 de dezembro. Na verdade foi mais uma avaliação geral que a de um ano só. E foi feita assistindo John Cusack em “High Fidelity” pela, sei lá, décima ou vigésima vez…
Não que eu me anime em ter assistido tantas vezes a uma comédia romântica, mas vá lá, não é uma comédia romântica normal. É bom ver que a cada assistida uma coisa nova passa a fazer sentido. Ao longo dos anos, foi assim com o 13th Floor Elevators e o restante da fantástica trilha sonora oficial, com a impressão sobre Bruce Springsteen depois do “Working on a dream” – que inclusive dá nome a uma das sessões desse blog –, com os fantásticos EP’s da Beta Band, ou percebendo o disco “Tropicalia ou Panis et circensis” na primeira fila da sessão de Latinos numa das cenas na Championship Vinyl. Dessa vez, passou a fazer sentido os vários adesivos da Sub Pop – a gravadora de Seattle que lançou o Nirvana, reconhecer a capa do “Double nickels on the dime” entre os discos que os pirralhos roubam da loja (um clássico punk do Minutemen, aquele disco que tem a música de abertura de Jackass), relembrar que “Most of the time” virou uma das minhas preferidas de Bob Dylan independente do filme ou sentir saudade da minha camisa da Decibel Audio que John usa em “High Fidelity” e que se perdeu numa das vezes em que eu mandei lavar minha roupa.
Mas a avaliação não é do filme, e sim proporcionada por ele. E aí que eu lembrei de ter feito tempos atrás, inspirado pelo filme, uma lista de coisas que eu queria ser quando crescer. A ordem era:
1 – Baixista de uma banda de Rock.
2 – Crítico de Rock. Em qualquer lugar. Rolling Stone. Bizz. MTV. Até no site do Recife Rock tá valendo. www.reciferock.com.br
3 – Membro de algum acampamento do MST.
4 – Professor. De Teoria do Direito. Graduação no Recife, Mestrado em qualquer lugar, Doutorado no Instituto de Frankfurt.
Alternativa ao Nro. 4 – Dono de uma loja de discos.
5 – Arquiteto.
Ora, ora, vejam só. Consegui tocar baixo numa banda (foi só um ensaio, mas tinha público e eu tenho fotos pra provar), consegui escrever sobre rock no RecifeRock!, consegui entrar no MST (como advogado, é verdade, mas fazer o que…). Lojas de discos não existem mais, e Arquitetura leva tempo e investimento que hoje eu não sei se seria uma boa. Já fui professor, mas ainda não de Teoria do Direito, embora ache que isso tá a caminho. Dificilmente vou pro Instituto em Frankfurt, mas também hoje não é o que eu planejo mais pra minha vida. O construtivismo me afastou da casa de Habermas. De cinco possibilidades e uma alternativa, são 03 checks, 01 coming next, 01 impossível e uma não feita. Acho que esse é o checklist com maior aproveitamento que eu já fiz na vida.
Em 28 de novembro de 2006 nada disso existia. Então, talvez eu avalie que hoje eu estou ainda próximo do moleque de 20 anos iniciando a faculdade. Talvez eu ainda seja jovem, e aquela história de ser jovem até os 28 não seja só conversa de bar. Talvez eu avalie que está na hora de fazer um novo checklist com coisas para ser quando crescer. Talvez, como diria Sérgio Sampaio, “há quem diga que eu não sou de nada, que eu não sei de nada”. Talvez, como diria o CPM 22, “o mundo dá voltas”. Talvez essa seja a avaliação mais sem certeza que eu já fiz na vida. Willkommen, 2012.
